E os cabelos que tampavam o rosto por força do vento também escondiam as lágrimas que banhavam a pele branca, quase rosa, que um dia despertara intenso desejo. Em passos largos e rápidos, a distância aumentava na mesma proporção da tristeza. Mais uma história em branco, uma vida não vivida.
Os pés poderiam parar. O mundo poderia recomeçar. Tudo poderia acontecer. Mas o “deixar fluir” levou para longe os beijos, aqueles sorrisos soltos nas manhãs de sol, as expressões de carinho nas tardes nubladas.
Não vão se esquecer. Mas por um tempo não mais pensarão naquela sensação boa daqueles dias. Até que um outro café qualquer seja o palco de um novo amor, ou, que um tinto seco perca o sabor. Depois de um tempo não há mais dor. Mas ainda estará lá.
sábado, 26 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Não me lembro
Os dedos quase ousaram tocar o teclado para fazer a ligação. Pensou antes em todas as palavras erradas que dissera em outros tempos. Imaginou naquele instante que a paixão poderia ser mera coincidência, uma recaída em virtude da cena vivenciada ali. Mas o coração saltava cada vez que a outra moça o fazia lembrar dela, tão distante em todos os planos imagináveis. Por horas ela falava sem que ele ouvisse, vagando com o pensamento em sua paixão, que a vida insistia em fazê-lo reviver, colocando em seu caminho incontáveis personagens e sinais daquela noite de lua bela.
Pensava estar livre daquela saudade, mas não contava com o acaso; a música, as pessoas, o local e tudo o que se traduzia nela. Olhou a mesma lua, tão bela quanto antes, mas com um sorriso ao contrário. Buscava alguma forma mística de se comunicar com a mente dela, mesmo cético. Quanta falta haveria de fazer aquela vista da luz refletida na água e o frio que empurrava ao abraço. Não queria, mas lembrou-se de cada detalhe. A roupa clara, os lençóis escuros, os beijos calmos, um amor ardente.
Não mais importava ir embora. A noite já se tornara triste. Os olhos lacrimejavam. E o pensamento, ah, o pensamento não mais lhe permitia esquecê-la. A voz, o toque, o cheiro e tudo o que era dela. O dia já quase clareava. Em lados opostos haveriam de seguir. Sem nunca mais se verem, pra sempre se amando em silêncio, contando mentiras aos próprios corações. A gente só lembra daquilo que se esquece.
Pensava estar livre daquela saudade, mas não contava com o acaso; a música, as pessoas, o local e tudo o que se traduzia nela. Olhou a mesma lua, tão bela quanto antes, mas com um sorriso ao contrário. Buscava alguma forma mística de se comunicar com a mente dela, mesmo cético. Quanta falta haveria de fazer aquela vista da luz refletida na água e o frio que empurrava ao abraço. Não queria, mas lembrou-se de cada detalhe. A roupa clara, os lençóis escuros, os beijos calmos, um amor ardente.
Não mais importava ir embora. A noite já se tornara triste. Os olhos lacrimejavam. E o pensamento, ah, o pensamento não mais lhe permitia esquecê-la. A voz, o toque, o cheiro e tudo o que era dela. O dia já quase clareava. Em lados opostos haveriam de seguir. Sem nunca mais se verem, pra sempre se amando em silêncio, contando mentiras aos próprios corações. A gente só lembra daquilo que se esquece.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Na sala de leitura
Em um mundo distante, que não é meu, mas que me desperta saudade e uma vaga lembrança da juventude longínqua, abro um livro de Cecília Meireles e sinto de novo, por um breve instante, aquele gosto doce. Ao meu redor, a simplicidade da natureza e o silêncio referenciam ao desejo escondido de uma vida em paz e menos complicada.
Olho no relógio, lembro que os prazos existem, os motores exigem combustível, as canetas não podem descansar.
Sinto aquele nó na garganta, o medo do absurdo, tal como me encontrava nas vésperas de prova, quando ainda tinha 12. Percebo, então, como as coisas são sem importância, mas a vida não mais me permite brincar.
É hora de caminhar, chorar todas as dores, desfrutar os prazeres e encarar a solidão de morrer a cada ciclo.
Olho no relógio, lembro que os prazos existem, os motores exigem combustível, as canetas não podem descansar.
Sinto aquele nó na garganta, o medo do absurdo, tal como me encontrava nas vésperas de prova, quando ainda tinha 12. Percebo, então, como as coisas são sem importância, mas a vida não mais me permite brincar.
É hora de caminhar, chorar todas as dores, desfrutar os prazeres e encarar a solidão de morrer a cada ciclo.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Ludibriando o ego
Quando me vejo sem sorte o acaso me revela a sorte. Sempre que desejo algo intenso, descubro que busco coisas erradas em lugares errados. Então, se anseio por gente de verdade, o que faço fingindo rir naquela mesa? Todos os olhares, aqueles lábios únicos me dizem só o que eu preciso ouvir. E as histórias enganam meu ego por algum tempo, ao menos enquanto resta parte de mim no bolso ou daquilo que eu significo.
Mas todos aqueles rostos, aquelas bocas falando ao mesmo tempo e tudo o que movimenta confundem-se com outras, tão semelhantes em essência, tão diferentes em verdade. Ninguém deseja arcar com as limitações. Contentam-se com as imperfeições. Mas sempre em partes, alimentando o egoísmo.
Eu olho os copos sempre cheios. As taças se esvaziando. E quando algo de bom ameaça meu coração, a mente reage de imediato, expondo os retratos do absurdo. E de novo o acaso brinda comigo, como quem sorri com sarcasmos.
Ignoro o movimento, fácil se esquecem essas coisas. Não mais me importam as palavras, quando os fatos saltam os olhos. Ainda há beleza, até em excesso. Talvez fosse certo, quem sabe até aceitável. Mas o relógio me lembra da vida. Os passos partem em direções contrárias. É hora de ir pra casa.
Mas todos aqueles rostos, aquelas bocas falando ao mesmo tempo e tudo o que movimenta confundem-se com outras, tão semelhantes em essência, tão diferentes em verdade. Ninguém deseja arcar com as limitações. Contentam-se com as imperfeições. Mas sempre em partes, alimentando o egoísmo.
Eu olho os copos sempre cheios. As taças se esvaziando. E quando algo de bom ameaça meu coração, a mente reage de imediato, expondo os retratos do absurdo. E de novo o acaso brinda comigo, como quem sorri com sarcasmos.
Ignoro o movimento, fácil se esquecem essas coisas. Não mais me importam as palavras, quando os fatos saltam os olhos. Ainda há beleza, até em excesso. Talvez fosse certo, quem sabe até aceitável. Mas o relógio me lembra da vida. Os passos partem em direções contrárias. É hora de ir pra casa.
Help
Vida estranha. De quem come demais, fala demais e vive de menos. Noite interminável no meu mundo. Lua que não se apaga, raio que não se afasta, nada que traga paz. Quanto tempo perdido, quanta coisa banal, pura ilusão do sistema. Muita sujeira escondida, muita gente morrendo e tantas outras rindo e bem gordas.
Camisa de linho na terça, terno negro no sábado, agenda com páginas preenchidas, outras idéias vazias. Um universo de mentira, um mundo feio à beça. Relógio e despertador, manhã sonolenta, tarde depressiva, madrugada de fuga. Tudo igual todo dia. Um grito de socorro. Silêncio.
Camisa de linho na terça, terno negro no sábado, agenda com páginas preenchidas, outras idéias vazias. Um universo de mentira, um mundo feio à beça. Relógio e despertador, manhã sonolenta, tarde depressiva, madrugada de fuga. Tudo igual todo dia. Um grito de socorro. Silêncio.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Vivendo entre mortos
A cidade foi devastada. Todas as conquistas, os relacionamentos, as contas no comércio, tudo deixou desistir. Ele caminha entre os cadáveres apodrecendo entre as ruínas, depois do tudo. E ainda está vivo, sente-se mal e só, naturalmente. Ao mesmo tempo, o ar lhe invade os pulmões com certo alívio. Não seria mais preciso suportar a hipocrisia de todo dia. Podia dizer o que sentia, desejar sem culpa, viver para si.
Não há companhias. Não há mais infortúnios. Todos se foram. Ainda um pouco de pó levantado dos pés, ao pisar mais duramente no chão irregular. Não haveria de ter pena ou remorso. Não lhe cabia culpa nem mérito. A vida, nesse momento, era, então, um mero acaso de quem , distraidamente, trilhou caminhos errados.
Via os corpos espalhados no chão, mortos com o mesmo sorriso indigesto que engolia todos os dias. Eram, agora, bem menos que ele. Valiam o preço da auto-estima, do orgulho ferido, do sabor de vingança e de tudo mais que o fazia sentir-se vivo novamente.
Não há companhias. Não há mais infortúnios. Todos se foram. Ainda um pouco de pó levantado dos pés, ao pisar mais duramente no chão irregular. Não haveria de ter pena ou remorso. Não lhe cabia culpa nem mérito. A vida, nesse momento, era, então, um mero acaso de quem , distraidamente, trilhou caminhos errados.
Via os corpos espalhados no chão, mortos com o mesmo sorriso indigesto que engolia todos os dias. Eram, agora, bem menos que ele. Valiam o preço da auto-estima, do orgulho ferido, do sabor de vingança e de tudo mais que o fazia sentir-se vivo novamente.
3ª Do Plural
Corrida pra vender cigarro
cigarro pra vender remédio
remédio pra curar a tosse
tossir, cuspir, jogar pra fora
corrida pra vender os carros
pneu, cerveja e gasolina
cabeça pra usar boné
e professar a fé de quem patrocina
Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, de rir ... Querem te fazer chorar
quem são eles?
quem eles pensam que são?
Corrida contra o relógio
silicone contra a gravidade
dedo no gatilho, velocidade
quem mente antes diz a verdade
satisfação garantida
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada
Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, à sede...eles querem te sedar
quem são eles?
quem eles pensam que são?
Vender... Comprar... Vedar os olhos
jogar a rede contra a parede
querem te deixar com sede
não querem nos deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são?
*Música dos Engenheiros do Hawaii.
- -
Nada como um dia depois do outro.
cigarro pra vender remédio
remédio pra curar a tosse
tossir, cuspir, jogar pra fora
corrida pra vender os carros
pneu, cerveja e gasolina
cabeça pra usar boné
e professar a fé de quem patrocina
Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, de rir ... Querem te fazer chorar
quem são eles?
quem eles pensam que são?
Corrida contra o relógio
silicone contra a gravidade
dedo no gatilho, velocidade
quem mente antes diz a verdade
satisfação garantida
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada
Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, à sede...eles querem te sedar
quem são eles?
quem eles pensam que são?
Vender... Comprar... Vedar os olhos
jogar a rede contra a parede
querem te deixar com sede
não querem nos deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são?
*Música dos Engenheiros do Hawaii.
- -
Nada como um dia depois do outro.
Um dia de cada vez
"Mas quando chega o fim do dia
Eu só penso em descansar
E voltar p'rá casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
De todo o meu cansaço
Nossa vida não é boa
E nem podemos reclamar"
* "Música de Trabalho - Renato Russo"
Eu só penso em descansar
E voltar p'rá casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
De todo o meu cansaço
Nossa vida não é boa
E nem podemos reclamar"
* "Música de Trabalho - Renato Russo"
domingo, 6 de setembro de 2009
O percurso
Ele pára com a ordem da luz vermelha do sinal e aproveita para contemplar a rua e seus pormenores. Vê, logo à esquerda, oito ou nove metros abaixo, na casa bem discreta, quase de esquina, ela erguer-se na pontinha dos pés para alcançar os lábios de seu par. Apenas um simples beijo, curto, de despedida. Um “até breve”, provavelmente.
Contorna a quadra e sobe por outra rua, clara, movimentada, no coração da cidade. O som dos carros e das gentes passando já identifica o grande fluxo do local. Em segunda marcha, bem lentamente, observa ao lado. Encostada no corpo junto ao carro, carícias ousadas, quase inadequadas. Alguns segundos e ela se recompõe, ajeita o vestido novamente, pisca devagar, olha fixamente pra ele. O convite está feito. A noite acabara de começar.
Quase um quilômetro adiante, cenas idênticas se repetem. Histórias que remetem ao amor e, com mais freqüência, ao sexo. No caminho de volta, um grupo de adolescentes cruza a frente do carro. Tempo o suficiente para um olhar de malícia, daqueles que provocam só por diversão, sem intenções específicas.
Parecia que tinha esquecido. Mas tantos flagrantes o fazem lembrar dos longos cabelos negros, milimetricamente nivelados ao meio das costas. E, de repente, o conjunto de coisas; o cheiro, a cor, o som e o gosto, tudo ao mesmo tempo, faz-se presente. Estaciona o carro, respira, e lembra-se da impossibilidade de tê-la. Ao mesmo tempo, contenta-se com a possibilidade de desejá-la inteira, nua, sem pudores, devassa, sem limites. Escolhe uma música e vai pra casa, rindo de seu próprio destino.
Contorna a quadra e sobe por outra rua, clara, movimentada, no coração da cidade. O som dos carros e das gentes passando já identifica o grande fluxo do local. Em segunda marcha, bem lentamente, observa ao lado. Encostada no corpo junto ao carro, carícias ousadas, quase inadequadas. Alguns segundos e ela se recompõe, ajeita o vestido novamente, pisca devagar, olha fixamente pra ele. O convite está feito. A noite acabara de começar.
Quase um quilômetro adiante, cenas idênticas se repetem. Histórias que remetem ao amor e, com mais freqüência, ao sexo. No caminho de volta, um grupo de adolescentes cruza a frente do carro. Tempo o suficiente para um olhar de malícia, daqueles que provocam só por diversão, sem intenções específicas.
Parecia que tinha esquecido. Mas tantos flagrantes o fazem lembrar dos longos cabelos negros, milimetricamente nivelados ao meio das costas. E, de repente, o conjunto de coisas; o cheiro, a cor, o som e o gosto, tudo ao mesmo tempo, faz-se presente. Estaciona o carro, respira, e lembra-se da impossibilidade de tê-la. Ao mesmo tempo, contenta-se com a possibilidade de desejá-la inteira, nua, sem pudores, devassa, sem limites. Escolhe uma música e vai pra casa, rindo de seu próprio destino.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A sensualidade
Seu olhar é fulminante, no sentido mais clichê do fato. E é exatamente a futilidade da ocasião que o enfeitiça. Ele não consegue desviar os olhos daquele olhar penetrante. Ela sabe e faz de propósito, mexendo no cabelo e na roupa sem disfarçar. Ele senta, inerte, despreparado, entregue a tudo o que ela desejar.
Ele se sente meio zonzo e seu pescoço balança quase que acompanhando o movimento dos lábios dela, como se quisesse decifrar cada intenção pervertida naquelas palavras simples e cotidianas, mas, nas entrelinhas, carregadas de conotação obscena. É inútil. Ela já o venceu desde a primeira dose.
O perfume é inconfundível. Caracteriza o ambiente e contextualiza a cena. Ele esconde o medo. Ela provoca. Faz caras e bocas. E diz “Cada um tem seu próprio brilho”. E a sensualidade prova seu poder de persuasão
Ele se sente meio zonzo e seu pescoço balança quase que acompanhando o movimento dos lábios dela, como se quisesse decifrar cada intenção pervertida naquelas palavras simples e cotidianas, mas, nas entrelinhas, carregadas de conotação obscena. É inútil. Ela já o venceu desde a primeira dose.
O perfume é inconfundível. Caracteriza o ambiente e contextualiza a cena. Ele esconde o medo. Ela provoca. Faz caras e bocas. E diz “Cada um tem seu próprio brilho”. E a sensualidade prova seu poder de persuasão
Na corda bamba
Eu me permito ouvir. Permito-me sentir o que se passa. Presto atenção ao que as pessoas dizem. Mas a repetição de um gesto pode se tornar mecânico. Tudo parece tão banal quando olho ao redor. As pessoas continuam comendo, mastigando a mesma comida sem gosto, bebendo os mesmos sabores sintéticos. E a vida fica artificial. Um faz-de-conta onde as pessoas representam o tempo todo. Elas parecem comer, mas estão engordando, cumprindo um hábito. Tentam falar, mas estão externando palavras decoradas. Poucos ainda perdem tempo em desenvolver uma idéia.
Estou cansado dessa gente mesquinha, desse universo menor. Estou cansado de mim mesmo. Enjoei dos meus sapatos, meu perfume e de todas as minhas roupas. Meus cabelos estão caindo e minha barba aumentando. Minhas expectativas encolhem com o avançar dos anos e certos sonhos parecem tão mais distantes que antes. Pedem-me o melhor do meu espírito e devolvem-me os cacos que ainda sobreviveram à guerra de vaidades.
Meu poder de criação tem caído. Minha percepção está adoecendo. A mente permanece lúcida, contemplando o caos e a tranqüila destruição dos valores conquistados lentamente. As bases estão enfraquecidas, a revolta é tudo o que tem crescido em mim, de forma tão avassaladora que o ódio poderia transformar-me por dentro, não fosse a lucidez impedir-me de vender minha alma.
O cinismo no falso sorriso desses rostos tão hipócritas provoca-me vômitos. Eles se divertem às minhas custas (e a dos que me cercam com bom senso). Os ratos insistem em cercar minha casa. Eu fecho a porta, eles buscam as frestas. E eu hei de alimentar a ânsia por vingança, se meu coração mandar. Não hesitarei sorrir quando a hora chegar, com a mesma audácia que me é dirigida.
Às vezes, sinto-me imerso em uma água turva e a terra agride meus olhos. Seria essa a última vista antes do anoitecer?
Estou cansado dessa gente mesquinha, desse universo menor. Estou cansado de mim mesmo. Enjoei dos meus sapatos, meu perfume e de todas as minhas roupas. Meus cabelos estão caindo e minha barba aumentando. Minhas expectativas encolhem com o avançar dos anos e certos sonhos parecem tão mais distantes que antes. Pedem-me o melhor do meu espírito e devolvem-me os cacos que ainda sobreviveram à guerra de vaidades.
Meu poder de criação tem caído. Minha percepção está adoecendo. A mente permanece lúcida, contemplando o caos e a tranqüila destruição dos valores conquistados lentamente. As bases estão enfraquecidas, a revolta é tudo o que tem crescido em mim, de forma tão avassaladora que o ódio poderia transformar-me por dentro, não fosse a lucidez impedir-me de vender minha alma.
O cinismo no falso sorriso desses rostos tão hipócritas provoca-me vômitos. Eles se divertem às minhas custas (e a dos que me cercam com bom senso). Os ratos insistem em cercar minha casa. Eu fecho a porta, eles buscam as frestas. E eu hei de alimentar a ânsia por vingança, se meu coração mandar. Não hesitarei sorrir quando a hora chegar, com a mesma audácia que me é dirigida.
Às vezes, sinto-me imerso em uma água turva e a terra agride meus olhos. Seria essa a última vista antes do anoitecer?
Sereníssima
Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.
*música de Renato Russo.
Uma perfeita explicação para o que sinto agora.
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.
*música de Renato Russo.
Uma perfeita explicação para o que sinto agora.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Mesa amarela
Nunca vi dias de tamanha solidão, concretizada na ausência de pensamentos, na insatisfação com o nada, na decepção com o todo e na incerteza da alma. As possibilidades são muitas e elas teimam em brincar com a minha expectativa e em desafiar meu poder de percepção. Faltam-me as companhias desejadas, mas ainda há coisas a serem contempladas. Todo ser tem sua própria beleza e originalidade.
Mas a ausência de comunicação emocional tem tornado meus dias mais difíceis e minhas noites terríveis. A simplicidade cotidiana até parece atraente num primeiro momento, mas depois de cinco minutos meu ser clama por compatibilidade de idéias. E algumas coisas tendem a barrar esse processo de identificação e modelagem.
A turbulência parece ter acalmado, a tal ponto que me permito uma livre manifestação como essa, não pela audiência, mas pelo desabafo e por saber que alguém acompanhará esse raciocínio, como se ainda estivesse sentado junto à mesa amarela. Eu deveria estar entusiasmado, mas o máximo que consigo é ficar surpreso com o rumo das coisas. É difícil explicar sem exemplificar.
Tomarei a última dose, com o vento batendo no rosto, observando a maré. O lema é sempre “deixar fluir”, mas isso tem me cansado demasiadamente. Um último gole antes de adormecer. Amanhã novos problemas hão de surgir. E nada parece ter solução.
Mas a ausência de comunicação emocional tem tornado meus dias mais difíceis e minhas noites terríveis. A simplicidade cotidiana até parece atraente num primeiro momento, mas depois de cinco minutos meu ser clama por compatibilidade de idéias. E algumas coisas tendem a barrar esse processo de identificação e modelagem.
A turbulência parece ter acalmado, a tal ponto que me permito uma livre manifestação como essa, não pela audiência, mas pelo desabafo e por saber que alguém acompanhará esse raciocínio, como se ainda estivesse sentado junto à mesa amarela. Eu deveria estar entusiasmado, mas o máximo que consigo é ficar surpreso com o rumo das coisas. É difícil explicar sem exemplificar.
Tomarei a última dose, com o vento batendo no rosto, observando a maré. O lema é sempre “deixar fluir”, mas isso tem me cansado demasiadamente. Um último gole antes de adormecer. Amanhã novos problemas hão de surgir. E nada parece ter solução.
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