domingo, 14 de janeiro de 2018

Perdas. Ou ganhos. Ambos


Ele andava na direção errada. Não contrária, mas fora do rumo. Mas, também, a vista o confundia, por sorte, não o suficiente para que não mais percebesse. Quando parou de olhar o horizonte e observou a árvore, o vale, a mata, percebeu que o caminho em linha reta estava errado. Teria que dar a volta.

E, num momento mágico, relembrou cada palavra que já ouvira e avaliou uma a uma, a loucura momentânea, o custo de cada pensamento e a inverdade das trilhas sonoras. Não estava ali, como de fato sempre acreditara estar. E, mesmo quando estivesse, não era inteiro. Era metade, incompleto.

E as músicas, agora, diziam outra coisa. Seus olhos enxergavam de novo, sem sombras, nem dúvidas, mesmo quando havia certeza da incerteza. Alto custo, valeria a pena, certamente, ao menos em algum aspecto. Se tivessem dito antes, ele não teria ouvido. Tem por hábito só escutar o que quer.

Parou de importar. Não importa o que fizesse, sempre seria o pior. E não nascera pra ser isso, não acreditava, nem aceitava. Parou de perder seu tempo emocional. Seguia na direção. Seguia em frente, mesmo que, por vezes, olhasse pra trás. Não importa, não havia nada.

domingo, 29 de outubro de 2017

A metade

Saber que foi tudo, sempre, um grande engano, até o mais recente pensamento, é tranquilizador, em alguma parte disso tudo. Não se deve cultivar sentimentos ruins ou buscar explicações técnicas, mas, simplesmente voltar pra casa, pros pensamentos tão solitários que pareciam ter sido entendidos enfim. Não foram.

E está tudo bem que não haja compreensão. Nunca houve, de fato. O mundo é mesmo um cavaleiro solitário, que encontra paz onde não de percebe o tempo todo. No fim, é como se tudo ficasse pela metade.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Não Leia

Não Leia. Respeite o pouco respeito que lhe sobra pelo título. Pare agora, nessa última palavra. Fim.

Nada existe ou existiu de concreto no mundo dos cegos (agora eu sei). Eu sei que posso dizer livremente, não haverá qualquer censura real. Você é uma ilusão irreal, uma falsa impressão. Não há nada de bom nisso, nunca houve. Toda maldade projetada está embutida em si.

O egoísmo traça caminhos traiçoeiros. Faz com que a vida se esconda nessa cortina de fantasia, de felicidade ensaiada. E retorna palavras vazias, tão vazias quanto a alma pequena e inquieta.

Não há motivos para nenhuma hostilidade, sei disso com todo meu ser. Não há ódio, nem rancor. Não há vida. Não há texto, nem referência. Não há presença, nem leitura. Não há nada.