Ele olha inseguro, sem muita certeza sobre seu poder de sedução. A ingenuidade impera e domina seus sentidos. As moças, as duas mais atrevidas e até a mais comportada observam maliciosamente. Gesticulam e passam a língua nos lábios vez ou outra como quem quer insinuar algo erótico, sem nenhum constrangimento, para a loucura do rapaz.
Um ou dois movimentos mais ousados e elas o pressionam contra a parede branca, sugerindo despi-lo sensualmente, ao som pouco conhecido de casas noturnas. O ambiente improvisado cheirava álcool. Ele sorri, resiste, brinca com a situação, ainda não entende bem o cenário inusitado. Ual! O amor realmente não existe.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Narração do sobrevivente
E assim sucedeu-se, conforme as memórias me permitem relatar, de modo breve, impreciso, mas intenso, aquilo que os olhos da ilusão viram amedrontados e inquietos.
Uma pequena desavença pode se transformar em grandes tempestades, irremediáveis e de conseqüências imensuráveis. E, depois de iniciada, por motivo incerto, veio uma fuga desesperada, não de alguém específico, mas de um exército sanguinário e delinqüente. Do lugar, definem-se apenas os telhados e muros por onde a fuga se concretizara.
O cerco aumentava e era cada vez mais difícil escapar da morte. De repente, um cenário vermelho e dezenas de milhares de pessoas eram varridas da terra, como se atropeladas numa guerra campal. Sobressaia-se a cor vermelha, os gritos de horror e gente morta aos pedaços por todos os lados. Mas eu ainda podia escapar. Havia a consciência da habilidade em criar estratégias imediatas para se manter vivo, mas não era possível saber até quando, pois a cada vez que dobrava a esquina, novos assassinos me esperavam.
Era uma guerra perdida a qual nem mesmo queria lutar. Apenas me concentrava em ficar vivo. E as pessoas morriam quase que instantaneamente na luta, sobrando apenas o exército opressor. E eu ainda estava vivo. Não havia ônibus, aviões ou qualquer transporte que pudesse ser utilizado. Era como se as cidades, estados e regiões não tivessem fronteiras. Não havia a consciência de um mundo estrangeiro, portanto não há considerações relevantes sobre possíveis intervenções.
Mas o terror era indescritível. Alguns tentavam reagir, mas morriam, mesmo em grande número. Havia alguns alojamentos nos quais podia me esconder por pouco tempo, mas novos conflitos começavam ali. A morte vinha devastando tudo, como se fosse a água do oceano a lavar a terra. E eu sobrevivia.
Não havia vínculos afetivos, nem parentes, nem amigos. Apenas a fuga constante da morte. E predominava o pensamento: “como isso irá acabar?”. E acabou sem explicação, com os olhos abertos, olhando o teto.
Uma pequena desavença pode se transformar em grandes tempestades, irremediáveis e de conseqüências imensuráveis. E, depois de iniciada, por motivo incerto, veio uma fuga desesperada, não de alguém específico, mas de um exército sanguinário e delinqüente. Do lugar, definem-se apenas os telhados e muros por onde a fuga se concretizara.
O cerco aumentava e era cada vez mais difícil escapar da morte. De repente, um cenário vermelho e dezenas de milhares de pessoas eram varridas da terra, como se atropeladas numa guerra campal. Sobressaia-se a cor vermelha, os gritos de horror e gente morta aos pedaços por todos os lados. Mas eu ainda podia escapar. Havia a consciência da habilidade em criar estratégias imediatas para se manter vivo, mas não era possível saber até quando, pois a cada vez que dobrava a esquina, novos assassinos me esperavam.
Era uma guerra perdida a qual nem mesmo queria lutar. Apenas me concentrava em ficar vivo. E as pessoas morriam quase que instantaneamente na luta, sobrando apenas o exército opressor. E eu ainda estava vivo. Não havia ônibus, aviões ou qualquer transporte que pudesse ser utilizado. Era como se as cidades, estados e regiões não tivessem fronteiras. Não havia a consciência de um mundo estrangeiro, portanto não há considerações relevantes sobre possíveis intervenções.
Mas o terror era indescritível. Alguns tentavam reagir, mas morriam, mesmo em grande número. Havia alguns alojamentos nos quais podia me esconder por pouco tempo, mas novos conflitos começavam ali. A morte vinha devastando tudo, como se fosse a água do oceano a lavar a terra. E eu sobrevivia.
Não havia vínculos afetivos, nem parentes, nem amigos. Apenas a fuga constante da morte. E predominava o pensamento: “como isso irá acabar?”. E acabou sem explicação, com os olhos abertos, olhando o teto.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Más intenções
Não imaginava que aqueles cabelos longos e negros causariam tanto estrago. Um prazer sádico de quem alcança o êxtase ferindo. Ou não. Mas perto de qualquer imoralidade, ele não evitaria encostar a boca naqueles lábios únicos, desejados e difamados. Sentia um breve frio na espinha, algo semelhante à sensação do vilão, mas longe de qualquer poder de inibição, as circunstâncias só o instigavam a ir além e sentir o gosto do pecado.
Estava condenado a lembrar-se do quão insensível e cruel poderia ser com o que ronda o seu cotidiano. Sabia disso. E, ainda assim, entregou-se ao desejo secreto e proibido de tê-la tão perto, tocar o corpo dela com o seu. Sentiu o mesmo prazer do vício ilícito, momentâneo e mortal, nem por isso hesitado.
Tão branca, tão clara. Olhava-a como a um troféu. Nenhum sentimento de culpa ou de apreço. Nada que atenuasse o peso do ato. Nada além do carnal, como deve ser para legitimar o crime. E provou cada estímulo provocado, desde o olhar, para que lembrasse muito bem do gosto, do cheiro e do toque.
O desastroso era o depois. O que não tem volta. A indiferença que os envolveriam, como se tudo fosse à toa. As marcas da indisciplina que não tem mais conserto. O falso olhar que o acompanharia para sempre e o sorriso maldoso que ela não mais tiraria do rosto.
Estava condenado a lembrar-se do quão insensível e cruel poderia ser com o que ronda o seu cotidiano. Sabia disso. E, ainda assim, entregou-se ao desejo secreto e proibido de tê-la tão perto, tocar o corpo dela com o seu. Sentiu o mesmo prazer do vício ilícito, momentâneo e mortal, nem por isso hesitado.
Tão branca, tão clara. Olhava-a como a um troféu. Nenhum sentimento de culpa ou de apreço. Nada que atenuasse o peso do ato. Nada além do carnal, como deve ser para legitimar o crime. E provou cada estímulo provocado, desde o olhar, para que lembrasse muito bem do gosto, do cheiro e do toque.
O desastroso era o depois. O que não tem volta. A indiferença que os envolveriam, como se tudo fosse à toa. As marcas da indisciplina que não tem mais conserto. O falso olhar que o acompanharia para sempre e o sorriso maldoso que ela não mais tiraria do rosto.
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