sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A percepção particular

Pra onde foram aqueles risos sem graça, aquela risada amarela, aqueles gestos tão singelos? Tudo me parece tão distante agora. Vejo as crianças correndo pela calçada molhada da chuva. Escuto uma delas gritando algo em um idioma incerto. O som de sua voz vira melodia aos meus ouvidos e todo o cenário congela, como se o tempo parasse diante daquele grito infantil, que ecoava indefinidamente.

O tempo parou um segundo. Foi pouco para pensar muito. A vida voltou a fluir. Nada eu pude fazer. Os carros, agora, cada vez mais rápido. As crianças correm para o almoço. Os pássaros voltam aos ninhos. Até mesmo as vassouras repousam do trabalho, recostadas no portão metálico. Minha mente grita a ponto de me ensurdecer. Todos voltam pra casa. O dia tem sol escaldante. Eu não enxergo nada. Tudo está negro aos meus olhos. Sento e choro sozinho.

Um comentário:

Velho Santiago disse...

Eu sei, eu sei.
Isso é SAU-DA-DE.

E a memória, já disseram, é uma forma de pedir um pouco mais!